Renovar a mente a caminhar nas Escarpas da Mizarela

No mês passado, quando escrevi sobre o Bullet Journal, falei-vos pela primeira vez no projeto ACMA, criado pela Ju do blog Cor Sem Fim. A experiência foi muito positiva e, por isso, decidi entrar no desafio novamente em fevereiro.

Este mês falamos de sentimentos. É um tema vasto, não? Afinal, tudo na nossa vida gira em torno dos nossos sentimentos, se não fossem os nossos medos e paixões não faríamos qualquer sentido.

Confesso que me é difícil expressar sentimentos em palavras, parece que me faltam. Às vezes apenas consigo sentir, não consigo dizer o que sinto, mas vou tentando.

Vivendo na cidade, algo que me faz muita falta na vida é estar mais em contacto com a natureza, com os campos, com os bosques, com as montanhas.

Como faço então para me livrar do stress e renovar as energias sem cair na rotina? Fujo da confusão e vou fazer percursos pedestres. Ouvir apenas os nossos passos e o coração a bater, a brisa a tocar nas árvores, a água a correr e os pássaros a cantar, longe da humanidade. Um passeio junto da natureza, traz-nos liberdade, tranquilidade e paz por alguns momentos. Além disso, fazemos exercício físico e respiramos ar puro, o que só traz vantagens para o nosso corpo e para a nossa mente.

Como é bom caminhar e deixar de ouvir os carros a passar, ficarmos apenas com nós mesmos ou com alguém que sente o mesmo que nós.

Assim, quando o tempo permite, saio da cidade e vou caminhar para a floresta. Um sítio ao qual gosto muito de ir é à Serra da Freita (Arouca) e a oferta de percursos pedestres é bastante grande conforme podem ver aqui.

Não importa onde se situa o trilho, o que interessa é ir e sentir. Tanto que, muito provavelmente, as sensações serão idênticas. Mas, para quem estiver por perto desta zona ou tenha possibilidade de se deslocar até lá, é um local que aconselho vivamente a visitar.

Por isso, sugiro-vos um percurso que já fiz duas vezes: o PR7 – Escarpas da Mizarela. Tem 8 kms, é circular e está classificado com o nível de dificuldade alto mas, na minha opinião, quem tiver alguma preparação física vai considerar de dificuldade média. 

Inicia-se no Parque de Campismo do Merujal onde tem lugares para estacionar. A partir daí é respirar fundo e começar a andar (ou correr, para os mais fortes!), seguindo as indicações. Levem água, comida e protetor solar. Não existem pontos de água pelo caminho.

Cerca de 1 km depois de começar, vamos ter de atravessar a estrada e faz-se aqui a primeira paragem, no miradouro, para apreciar a Cascata da Frecha da Mizarela, a mais alta da Península Ibérica e uma das mais altas da Europa.

Continuando a descer a certa altura vira-se à esquerda e aqui sim, para mim, começa verdadeiramente este percurso. Até meio é sempre quase a descer por entre os caminhos estreitos e pedras irregulares. Ao fundo, sempre vigilante, espreita a cascata por entre as árvores. O coração começa a bater do “sobe e desce” e a sede aperta.

Sensivelmente a meio do caminho, há uma casa que parece estar abandonada, um canastro e uma ponte. Por baixo dessa ponte passa um riacho, um ótimo local para tomar um banho no verão, repor energias e continuar a caminhada.


A partir daqui é sempre a subir até aos 950 metros de altitude. Agora sim vai doer, mas a infinita beleza com que se deparam os nossos olhos fazem-nos esquecer tudo o resto por momentos e sentimo-nos renovados.


Numa das vezes que fiz este percurso o nevoeiro adensou-se e deixou a serra ainda mais bonita e misteriosa.


No fim estamos cansados e suados. Eventualmente já doem as pernas e os pés mas o sentimento de calma e paz, as memórias que o nosso cérebro guardou das paisagens de cortar a respiração, e a sensação de ter chegado ao fim superam, de longe, o esforço físico. É como se, pelo caminho, tivéssemos deixado algumas componentes tóxicas de nós para trás, uma sensação de “mini-reset” que ajuda a diminuir o stress, a ansiedade e até a tristeza, fazendo-nos sentir melhor.

 

Qualquer blogger/youtuber pode participar no projeto ACMA, para isso basta enviar um e-mail para corsemfim@gmail.com. No âmbito deste projeto não poderão ser abordados temas sobre maquilhagem, outfits e moda pois a ideia é exatamente fugir a estes temas. A participação mensal não é obrigatória.

Acompanhem os outros blogs também. 🙂

Blogs fundadores projeto ACMA
Oh Pêssegos | Anda Daí! | Miss Melfe | The Eyes of a Mermaid | Comic Life | Cor Sem Fim

Alguns dos blogs convidados
Sr. Foco | Olhares Indiscretos | My Boulevard | Tânya Martins

19 comentários

  1. Há algo de muito especial no contacto com a natureza, não há? Eu, que adoro tudo o que as cidades grandes e agitadas têm para oferecer, também tenho um carinho por campos, bosques, rio e montanhas. E fazer este tipo de percursos é algo que me dá energia, motivação, e uma paz de alma incrível. Adorei as fotografias, especialmente aquelas com o nevoeiro. O misterioso sempre chamou por mim 🙂

    1. Tens toda a razão Catarina, apesar de também adorar a agitação da cidade (muito provavelmente já nem seria capaz de viver muito tempo fora dela), há sempre aquela necessidade de parar um pouco e ir em busca da calma que a natureza tem para nos oferecer. **

    1. Olá Lúcia, também faço exercício físico quase todos os dias e às vezes, mesmo quando não apetece tanto, se fizermos um esforço no fim acabamos por nos sentir melhor! Beijinhos *

  2. Que maravilha. E que saudades que tenho dessas caminhadas, acho que há poucas coisas que me ajudem mais do que passar um dia no meio da natureza – o cansaço parece que nos traz mais energia, e a natureza transmite-nos a calma que precisamos!

    Jiji

  3. Bem, deixa-me dizer-te que estou completamente rendida por causa destas fotografias. Agora não há como não visitar este lugar, que parece magnífico. Adoro a natureza, adoro estar em contacto com ela e este parece um lugar ideal. Obrigada pela partilha!

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