3 dias em Moscovo | 17 locais a não perder


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Recentemente escrevi aqui um pouco sobre a minha experiência da viagem que fiz à Rússia. Nessa ocasião prometi que iria falar em breve dos locais que visitei em Moscovo e em São Petersburgo.

Hoje escrevo-vos sobre a capital russa. Moscovo é uma cidade megalómana, tudo é em grande. Os monumentos, os edifícios, as praças, as estradas. Fiquei apenas 3 dias, pouco para uma cidade tão extensa. Tentei visitar o máximo possível e ir aos locais mais enigmáticos sobre os quais vos vou falar.

3 dias é pouco para uma cidade gigante como esta. Muito ficou por ver mas, o essencial, acabou por ser visitado. O melhor é mesmo ir visitando a cidade por zonas.

O metro funciona bem e a rede é muito vasta. Aqui convém saber, pelo menos, o alfabeto cirílico visto que, na maior parte das estações, as indicações não estão escritas em inglês mas, segundo nos contou a nossa guia (no walking tour do qual falo abaixo), estavam a fazer melhoramentos nessa área devido ao Mundial de 2018. Há que ter em atenção que, por norma, quando as carruagens vão cheias, só vão sentadas mulheres e crianças, os homens costumam ceder o seu lugar.

Senti-me em segurança em qualquer local, aliás, toda a cidade é bastante patrulhada. Em alguns centros comerciais e estações de metro e nos museus, a segurança irá revistar-nos a nós e aos nossos pertences.

A maior parte das pessoas, principalmente as mais velhas, não falam inglês, por isso, julgo que convém fazer um esforço e aprender algumas frases básicas em russo e/ou apontá-las num papel caso seja necessário.

Para chegar do aeroporto de Moscovo (Domodedovo) ao centro da cidade (neste caso, ao hostel onde iria ficar), contratei um serviço de transfer aqui visto que o voo chegou de madrugada e a essa hora não havia ainda transporte público. Na zona das chegadas, depois de apresentar o passaporte com o respetivo visto, estava um senhor com uma placa com o meu nome à nossa espera, pelo que foi muito fácil encontrar o nosso condutor. A viagem demorou cerca de 30 minutos e custou 35€.

Para tratar do visto para a Rússia podes ver aqui passo-a-passo como fazer.

Antes de passar às sugestões de locais para visitar, gostaria de dizer-vos que a primeira coisa que fiz foi um walking tour que serviu como uma breve introdução à cidade. Nestes tours aprende-se muito e os guias dão-nos muitas dicas sobre o que fazer e onde comer, pelo que gosto de fazer um walking tour logo no primeiro dia. A nossa guia, uma jovem da Sibéria muito simpática, conduziu-nos a pé por Moscovo durante cerca de 3 horas e contou-nos várias curiosidades e algumas piadas. Aconselho vivamente a fazer este tour. Pode ser marcado aqui e é gratuito, no fim dá-se o que se quiser.


01. Praça Vermelha (Красная площадь)
É claro, todos já ouviram falar da emblemática Praça Vermelha. E, ao contrário do que muitos possam pensar o nome “vermelha” nada tem a ver com o vermelho do Partido Comunista. O seu nome tem origem na palavra “красный” (krasnyy) que significava “bonito” no russo antigo mas que agora significa “vermelho”. Portanto, outrora fora a Praça Bonita e não Vermelha.

Confesso que é bastante maior do que pensava. É gigante e “vigiada” por 4 magníficos monumentos em cada uma das suas quatro faces: os muros do Kremlin e o Mausoléu de Lenine, o Museu Histórico do Estado da Rússia, a Catedral de São Basílio e o centro comercial GUM, que fazem dela uma das mais bonitas praças do mundo. Pode não dar para ir a mais lado nenhum mas à Praça Vermelha é obrigatório ir.

 

02. Kremlin (Кремль)
Esta é a casa do presidente russo e a sede da sua administração. Como é óbvio nem todo o complexo está aberto ao público, apenas menos de metade está acessível.

Aqui é possível visitar vários palácios, catedrais e igrejas. Destaco a Torre da Trindade por onde outrora entrou Napoleão, a Catedral da Assunção e do Arcanjo S. Miguel, o Palácio do Arsenal, o Palácio das Facetas e o Campanário de Ivan o Terrível, bem como o sino partido do Czar que é o maior sino do mundo.

Aconselho a comprar o bilhete antecipadamente através do site oficial, de modo a evitar as filas.

 

03. Mausoléu de Lenine (Мавзолей Ленина)
Aqui jaz Lenine dentro de uma tumba de vidro. Quase parece vivo, está imaculadamente conservado, como se estivesse apenas a dormir. O silêncio é absoluto e é emocionante ver alguém tão importante na História da Rússia e do mundo ali, intacto. O ambiente é escuro, estando quase apenas a urna iluminada. Praticamente não se pode parar para ver melhor, pois logo os guardas nos dizem para avançar e não se pode tirar fotos. Vê-se em menos de 5 minutos mas permanecerá durante anos na memória. A entrada é gratuita.

 

04. Catedral de São Basílio (Собор Василия Блаженногo)
A icónica catedral com as suas abóbadas coloridas é um dos maiores símbolos de Moscovo e da Rússia. A sua arquitetura é tão peculiar que parece retirado de um qualquer conto de fadas. Foi Ivan o Terrível que a mandou construir, em 1552, para celebrar a reconquista de Kazan e Astrakhan.

O seu arquiteto foi Postnik Yakovlev. Diz a lenda que Ivan ficou tão fascinado com a sua beleza, que acabou por cegar o próprio arquiteto para que jamais pudesse construir algo do género. Os bilhetes podem ser comprados à entrada ou antecipadamente no site.

 

05. GUM (ГУМ)
Antes da Revolução Russa, este edifício era o que é hoje: um centro comercial. E assim se manteve durante alguns anos mesmo após a Revolução mas, em 1928, Estaline ordenou que se tornasse um edifício para escritórios. Só em 1953 o GUM voltou a ser um centro comercial, um dos poucos em toda a União Soviética em que os produtos não eram vendidos de forma racionada. Hoje é um shopping como outro qualquer com todo o tipo de lojas e marcas ocidentais, restaurantes e cafés.

No rés-do-chão há um pequeno balcão de venda de gelados deliciosos e de vários sabores muito baratos, junto a uma das entradas acessíveis através da Praça Vermelha.

 

06. Catedral de Kazan (Казанский собор)
Encontra-se num dos cantos da Praça Vermelha e é uma reconstrução da igreja original que foi demolida em 1936 por ordem de Estaline. Foi a primeira igreja a ser reconstruída após a queda da União Soviética.

 

07. Jardins de Alexandre (Александровский сад)
Logo ao lado do Kremlin ficam os Jardins de Alexandre, construídos em honra do Czar Alexandre I, responsável pela reconstrução de Moscovo após as invasões napoleónicas. Um local agradável e bonito para se passear calmamente.

Está impecavelmente arranjado e limpo. As flores coloridas decoram-no suavemente e as fontes refrescam no verão. Pode ver-se também aqui, guardados por soldados, o túmulo do soldado desconhecido e a chama eterna que recorda todos os que morreram na Segunda Grande Guerra.

 

08. Ulitsa Nikolskaya (Никольская улица)
Logo ao lado do ponto anterior situa-se a Ulitsa (rua) Nikolskaya, uma das mais movimentadas onde podemos encontrar todo o tipo de souvernirs e também alguns restaurantes e cafés. Um ótimo local para dar um passeio no final do dia.

 

09. Teatro Bolshoi (Большой театр)
O Teatro Bolshoi é casa de uma das mais antigas e, muito provavelmente, das melhores companhias de teatro do mundo. É também um dos mais importantes marcos de Moscovo. Quem gostar e tiver oportunidade de assistir a um espetáculo neste icónico edifício terá, com certeza, uma experiência inesquecível.

 

10. Tverskaya Ulitsa (Тверская улица)
Esta foi já uma das ruas mais chiques de Moscovo, conhecida pelos seus restaurantes, cafés, teatros, hotéis e lojas. É uma rua extremamente movimentada quer por pessoas, quer por por veículos e continua a ser uma das ruas mais populares.

 

11. Palácio dos Boiardos Romanov (Палаты бояр Романовых)
Neste pequeno palácio podemos perceber um pouco como era a vida da família Romanov, uma nobre e importante família russa, cujo primeiro Czar foi Mikhail I e o último o famoso Nicolau II, cujo reinado terminou quando se viu obrigado a abdicar do seu poder no decorrer da Revolução Russa de 1917. Os bilhetes podem ser comprados online ou no local.

 

12. Museu da Grande Guerra Patriótica (Центральный музей Великой Отечественной войны 1941-1945)
Para quem gostar da História da Segunda Guerra e Pós-guerra este museu, situado no Parque Pobedy, é qualquer coisa de extraordinário.

No rés-do-chão existem várias salas com dioramas em tamanho real que retratam várias batalhas. As pinturas nas paredes fundem-se com o objetos da representação que, com a ajuda dos sons que vão sendo emitidos, fazem-nos parecer que estamos num campo de batalha. Neste piso podemos ainda observar a Sala da Memória onde se presta homenagem aos mais de 26 milhões de russos que morreram ou desapareceram na guerra.

No piso superior o espólio da exposição vai desde armas a latas de zyklon-b passando por uma fantástica encenação sobre o dia em que Berlim foi tomada pela URSS. Podemos entrar numa casa que parece real, cheia de pó e com alguns estragos onde se ouvem tiros. Quando saímos, deparamo-nos com a escadaria da entrada do Reichtag com furos de bala nas suas colunas e as paredes escritas, como se tivéssemos sido transportados para o dia da vitória de que tanto se orgulha este país.

A exposição culmina com a Sala da Fama, onde uma enorme escultura se eleva com a estrela vermelha sobre a sua cabeça. Nas paredes estão escritos os nomes de todos aqueles que receberam o prémio de Herói da União Soviética.

Este foi um dos locais que achei mais interessantes em Moscovo e onde está bem patente o orgulho que sentem pela sua nação e pela sua vitória sobre o “monstro” nazi.

 

13. Estações de Metro (метро)
Dizem por aí que são verdadeiros museus e são mesmo. É impossível algum dia esquecer estas estações. Os mármores, os candeeiros, a escadaria e os pormenores no teto, fazem-nos acreditar, por momentos, que estamos dentro de um palácio (a ideia era mesmo essa).

As referências à era soviética são imensas, de bustos do Lenine à foice com o martelo, parece que cada uma das estações tem uma história para nos contar, representada nos seus painéis de azulejos que retratam a vida na época.

As mais bonitas são as estações de Arbatskaya (Арбáтская), Kievskaya (Киевская), Ploshchad Revolyutsii (Плóщадь Революции), Teatralnaya (Театрáльная), Belorusskaya (Белорýсская) e Komsomolskaya (Комсомóльская).

 

14. Museu Pushkin (музей изобразительных искусств имени А.С. Пушкина)
Fundado em 1898, alberga uma vasta coleção de obras desde a Antiguidade ao século XIX, o que faz dele o maior museu de arte europeia em Moscovo. Com a queda da União Soviética, muitos curadores admitiram ter escondido várias obras, sendo que muitas delas estão agora expostas neste museu.

Destaco a quantidade de réplicas das grandes esculturas da Antiguidade Clássica ao Renascimento como, por exemplo, o Perseu de Cellini ou o David de Michelangelo (cujos originais se encontram em Florença), aqui colocadas com fins educativos.

 

15. Catedral de Cristo o Redentor (Хрáм Христá Спасителя)
Esta catedral, conhecida pelas suas abóbadas douradas foi mais uma das igrejas destruídas sob as ordens de Estaline, em 1931. A sua reconstrução está envolta em polémica devido à exagerada quantia despendida nos arranjos e nos materiais, contrastando com a pobreza que existia na cidade. A entrada é gratuita.

 

16. Casa-museu de Tolstoy (Музей-усадьба Л.Н. Толстого в Хамовниках )
Nesta casa viveu, nos invernos de 1882 a 1901, um dos mais magníficos escritores da Rússia e do mundo: Leo Tolstoy. Esta casa tornou-se um museu em 1921 por ordem de Lenine e encontra-se praticamente igual ao que era na época.

No rés-do-chão começa-se a visita pela sala de jantar com a mesa posta como se realmente alguém fosse ali tomar a sua refeição e assim continua a visita, com todas as divisões decoradas e dispostas como se vivesse aqui alguém. Podemos até ver os halteres com que Tolstoy se exercitava.

 

17. Museu da História do GULAG (музей истории ГУЛАГ)
Como o próprio nome indica, é um museu dedicado à história do GULAG. Aqui podemos perceber como surgiram os campos de trabalho forçado, tão pouco falados mas tão cruéis como os conhecidos campos de concentração nazis. Quem eram os perseguidos, o que neles acontecia e como acabaram por desaparecer são questões que podemos ver respondidas neste museu. Aqui estão guardados vários documentos, objetos pessoais dos prisioneiros e artefactos dos próprios GULAG’s como portões ou camas.

Não é fácil encontrar o edifício e fica um pouco deslocado do centro. Foi necessário perguntar várias vezes pelo local a quem passava na rua e muitos diziam desconhecer o sítio, como se não quisessem falar do assunto.

 

Findos estes 3 maravilhosos dias, estava na hora de apanhar o comboio e seguir para São Petersburgo!

Espero ter-vos ajudado e inspirado com este artigo, pois Moscovo é uma cidade que vale mesmo a pena visitar, pelo menos uma vez na vida.

до свидания!

18 comentários

  1. As fotos estão incríveis e Moscovo tem mesmo uma arquitectura muito própria que sempre me fascinou, os detalhes são absolutamente impressionantes, fiquei a babar com a catedral de são Basilío e confesso que o Teatro Bolshoi é para mim daqueles lugares que sempre me provocou fascínio.

    beijinhos

    1. Fico muito contente que tenhas gostado Vânia! Estas abóbadas características são mesmo lindíssimas, muito diferentes daquilo que estamos habituados aqui, o que acaba por causar um fascínio ainda maior! Beijinhos e obrigada pela visita!

  2. Este post deixou-me com uma vontade enorme de sair daqui e ir para a Moscovo! É tudo tão bonito, tão rico em cultura, em história, tão trabalhado e detalhado. Moscovo foi direitinho para a minha lista de locais a visitar! Que ótimo post!

    Um beijinho,
    Bia do Bookaholic.

  3. Que coincidência, também ando a preparar uma publicação sobre Moscovo! É mesmo uma cidade incrível, não é? Vi coisas diferentes das duas vezes em que lá estive (embora tenha repetido algumas), e sinto que ainda ficou tanto por ver… Esta cidade tem imenso para oferecer, e é tão cheia de vida! Não achaste que Lenine parecia um boneco de cera? Eu tive essa sensação…

    1. Estou a ver que temos um grande amor em comum! 🙂 e agora que falas do Lenine parecer de cera realmente ele estava um pouco brilhante…sei que já lhe fizeram alguns retoques, talvez até tenha sido mesmo com cera! Fico a aguardar o teu artigo! Beijinhos

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