Veneza | Roteiro para 3 dias

Ao planear a viagem para Veneza, o que mais li foi que por lá o que de melhor se pode fazer é passear pelas ruas. Bem, vou ter de repetir o que já foi dito pois é mesmo isso. Existem vários monumentos e museus a visitar e que devem ser vistos, mas vaguear pelas ruas sem rumo nem destino é sem dúvida o mais interessante. E como é fácil perdermo-nos aqui! Algumas ruelas são autênticos labirintos e por vezes nem o mapa nos ajuda a orientar.

Veneza tem uma beleza inigualável, quase onírica. Acho que as fotos falam por si. São poucas as cidades que se equiparam à sua beleza e singularidade, não esquecendo também as outras ilhas da sua lagoa, como Murano ou Burano, sobre as quais também falarei brevemente. Espero que este artigo vos possa ser útil e inspirador tanto para conhecer melhor Veneza, como para elaborar um roteiro.

Os 3 dias passados nestas pequenas ilhas ligadas por pontes foram de constante contemplação. A cidade não estava muito agitada pois a altura escolhida (Dezembro) não é a que habitualmente acolhe mais turistas mas, mesmo assim, haviam bastantes. Julgo que a época alta não será o melhor período para visitar esta pequena beleza de águas azuis-esverdeadas.

O tempo presenteou-nos com temperaturas muito baixas que chegaram aos 2 graus negativos e o sol foi-se escondendo ocasionalmente atrás do nevoeiro, o que deixou Veneza com uma atmosfera mística e uma beleza especial.

À noite, os candelabros de formas rústicas iluminam-se a meia luz e transformam as ruas e os becos em lugares românticos e misteriosos. Nalguns sítios apenas se ouvem alguns passos e uma ou outra conversa, enquanto o silêncio da noite se funde com as calmas águas dos canais.

Não há carros nem bicicletas, as únicas coisas com rodas que se encontram nas ruas são as malas dos turistas e os carrinhos de mão que carregam as mercadorias para fornecimento do pequeno comércio. As famosas máscaras observam-nos a cada esquina e os cafés, pequenos e acolhedores, convidam-nos a entrar.

 

A manhã do primeiro dia foi passada a fazer um walking tour reservado aqui, onde a nossa guia nos mostrou, entre outras coisas, o que significam os nomes das ruas, a história das máscaras e como se fabricam peças com vidro de Murano.

À tarde visitámos a icónica Praça de São Marcos, a Basílica de São Marcos e o Palácio Ducal ou Palácio dos Doges. Devido ao nevoeiro, decidimos não visitar o Campanário de São Marcos pois não se iria ver nada.

A Praça de São Marcos, elegante e retratada frequentemente em filmes e fotografias, é a primeira parte de Veneza que fica inundada quando ocorre o fenómeno da “acqua alta” em que a maré sobe. No início, esta praça era apenas uma extensão do Palácio Ducal e da Basílica de São Marcos, então centro da vida política e social de Veneza. Chegou inclusivamente a passar aqui um canal. Mais tarde, em 1172, a praça foi alargada e forma atualmente um trapézio, tendo o seu maior lado uma extensão de 170 metros de comprimento. 

A Basílica de São Marcos, ocupa uma das faces da praça e é uma das mais belas basílicas do mundo. A sua construção remonta ao ano de 829 e sua fachada é única, não só pelo seu terraço com os cavalos de bronze mas também pelos seus arcos, pelas suas pequenas estátuas e pelas suas pinturas. O interior é um pouco escuro mas igualmente magnífico como o seu exterior.

Logo ao lado fica o Palácio Ducal ou Palácio dos Doges, mais uma imponente obra de arte arquitetónica. Este palácio era a residência privada do Doge. Logo ao entrar deparamo-nos com o belíssimo terraço interior que dá acesso ao início da visita. As suas salas estão plenamente decoradas com frescos, bem como com estátuas e pormenores em mármore.

É através do Palácio Ducal que podemos ter acesso à famosa Ponte dos Suspiros. O seu nome remete para a época em que a prisão se encontrava aqui no palácio. Nessa altura, os prisioneiros passavam do tribunal para as celas por um dos dois corredores desta ponte, que ao lançarem um último olhar sobre Veneza, soltavam um suspiro.

O bilhete para este palácio inclui também a entrada para o Museu Correr, para o Museu Nacional de Arqueologia e para a Biblioteca Nacional Marciana.

O entardecer foi passado nas margens junto ao palácio. Deu para ver ao longe a Chiesa di San Giorgio Maggiore e para melhor apreciar a Ponte dos Suspiros, sem muita confusão.

À noite vimos um concerto muito intimista das Quatro Estações de Vivaldi, na Iglesia de la Pietá. Foi um pouco inesperado e adorei a experiência pois não contava ver nenhum espetáculo, muito menos numa igreja. 

 

No segundo dia, logo de manhã, voltámos à Praça de São Marcos para visitar o Museu Correr. Neste museu encontra-se uma magnífica coleção de esculturas de Canova, salas de rica decoração neoclássica e coleções que refletem a história de Veneza. É pelo Museu Correr que temos acesso ao Museu Nacional de Arqueologia que alberga importantes esculturas antigas (gregas, egípcias, babilónicas e assírias) e à Biblioteca Nacional Marciana onde se encontram valiosos manuscritos e onde podemos também apreciar obras de Tintoretto ou Tiziano.  

Depois deu ainda para passear pelas ruas, ir ao Campo SS Giovanni e Paolo e entrar na livraria “mais bonita do mundo”, a Acqua Alta, onde comprei um postal.

Às 14h apanhámos um barco junto ao Palazzo Ducale e fomos visitar as ilhas de Murano, Burano e Torcello, sobre as quais falarei noutro artigo brevemente.

 

O terceiro e último dia foi dedicado principalmente a descobrir ruas, praças e canais.

Visitámos apenas um museu, o Peggy Guggenheim o qual me desiludiu pelo preço excessivo relativamente ao pouco que tem para nos oferecer (15€, quase tanto como o bilhete para o Palácio dos Doges, Museu Correr, Museu Nacional de Arqueologia e Biblioteca Nacional Marciana, todos juntos).

Daí seguimos mais um pouco e fomos até à “pontinha” da ilha, à Punta della Dogana, junto à Basílica di Santa Maria della Salute de onde se tem uma vista deslumbrante sobre o centro de Veneza.

Na volta, como não podia deixar de ser, fomos até à ponte mais famosa de Veneza, a Ponte Rialto.

Infelizmente não deu para andar de gôndola (100€ por meia hora, não obrigado!) nem de vaporetto (por falta de tempo), mas deu para comer tiramisù, gelados, pastas e pizzas, que também fazem parte de uma visita a Itália. Um dia quando voltar (espero que seja no Carnaval onde gostaria de me disfarçar também), talvez possa vislumbrar Veneza através da água, pelo Grande Canal fora. Até lá resta-me recordá-la através das fotos e das memórias.

Se vais visitar Veneza a partir do Porto pela Ryanair aterrando em Bérgamo, vê também o artigo como chegar a Veneza a partir de Bérgamo.

21 comentários

  1. As tuas fotografias ficam sempre muito bonitas, adoro os tons! São assim meios misteriosos, e eu adoro coisas misteriosas 🙂 Também já me pus a pensar qual seria a melhor altura para ir a Veneza, e parece-me que escolheste um época muito boa. No verão, deve ser praticamente impossível andar por lá… Um Carnaval em Veneza também está nos meus planos, mas é outra época em que a cidade deve estar cheia de turistas. Acho que terei de ir duas vezes, uma para conhecer, outra para entrar no espírito das máscaras do Carnaval veneziano.

    1. Olá Catarina, muito obrigada! Sim no verão deve ser horrível, os meus pais já lá estivem nessa altura e estava a abarrotar e, conforme disseste, o Carnaval não deve ser diferente mas deve valer muito a pena! O ideal é mesmo ir numa altura mais calma (de outubro a março talvez, sem coincidir com o carnaval) para se andar mais à vontade! Beijinho *

  2. Olá!!! Descobri o teu blog no facebook de “Amantes de viagens”. Brevemente também irei a Veneza e ando a fazer uma espécie de roteiro, vão ser 3 dias e quero aproveitar ao máximo. Uma das coisas que queria ter noção é das distancias, por exemplo da Praça de São Marcos para Basílica di Santa Maria della Salute demora quanto tempo, faz-se bem a pé?? O concerto que viram na igreja foi pago, há esse género de concertos com frequência?? A biblioteca Acqua Alta vale apena a visita, é fácil de chegar lá (essa também é outra das minhas duvidas, se no meio daquelas ruas e canais se conseguimos ir ao encontra daquilo que levamos planeado ou se é melhor ir à descoberta) Foram ao mercado do Rialto, está sempre aberto?? Que Praça ou praceta que descobriste que recomendas?? Só para terminar… o preço dos restaurante são mesmo puxados ou procurando bem ate se consegue almoçar pelo preço acessível ?? Desculpa está chata, qualquer informação é bem vinda.

    1. Olá Maria! Da Praça de São Marcos à Basílica di Santa Maria della Salute são cerca de 30 minutos a pé, faz-se bem e o percurso é muito bonito. Também existem um barcos (traghetto) que fazem a travessia entre as duas margens mas quando fui não encontrei nenhum a funcionar, julgo que o vaporetto também passa lá mas acho que não justifica pagar um bilhete (que é caro) só para atravessar quando o caminho a pé é bastante agradável. O concerto foi pago sim (25€), só soube que ia haver porque passei na entrada da igreja e estavam a anunciar, deve existir alguma agenda de espectáculos na internet para veres o que vai haver. A livraria vale a pena se fores para aqueles lados, é antiga e muito bonita sem dúvida, tem livros dentro de gôndolas e no fundo da livraria uma janela que dá para um canal. Um dos maiores problemas em Veneza é que nos estamos sempre a perder, um mapa é fundamental e mesmo assim às vezes não é fácil encontrar as ruas e o GPS do telemóvel não funcionou. Fui ao mercado Rialto mas não sei o horário, eu passei lá mais ou menos há hora de almoço. Relativamente às praças eu aconselhava a fazeres o walking tour gratuito de que falo pois descobres muitos sítios “menos” turísticos mas se não fizeres sugiro passares no bairro judeu que é muito bonito (o tour também passa lá). Relativamente às refeições, como fiquei num apartamento, ao jantar comprava algumas coisas no supermercado e fazia eu o jantar, para o almoço levei uma lista de sítios baratos para comer que procurei no Trip advisor (podes ver aqui no blog como fazer na categoria das “Dicas de viagem”) e almocei em dois deles, não são mesmo restaurantes são aqueles sítios pequenos que têm poucas mesas e são os mais baratos (um era uma pizzaria e outro de pastas, ambos deliciosos), duas pessoas com almoço e bebida ficava cerca de 15€. Espero ter ajudado, se tiveres mais dúvidas, se souber terei todo o gosto em responder! Beijinhos e boa viagem!

      1. Obrigada Sandra por todas as informações 🙂 Fiquei só com uma dúvida… Como funciona isso do walking tour, marca-se pela net, é grátis??? Desconhecia esse bairro judeu 🙂 nas pesquisa que fiz, li que recomendam as ruas “Calle Larga XXII Marzo” e “Calle Frezzeria” passas te lá , parece-me ser ruas importante de Veneza!? Mais uma vez obrigado… beijinhos!!!

        1. Sim, o walking tour é grátis, no fim dás ao guia o valor que quiseres. Ninguém é obrigado a dar nada mas eu costumo dar sempre e vejo as outras pessoas a dar também. Estes guias não recebem ordenado da empresa, ganham apenas o que os turistas dão. Na Calle Larga XXII Marzo não passei mas na Calle Frezzeria sim, fica por trás do Museu Correr junto à Praça de São Marcos e vale a pena ver! Beijinhos!

  3. Veneza foi, sem dúvida, a cidade mais bonita que já visitei. Já foi há uns 10 anos mas adorei cada segundo e espero conseguir voltar em breve. Adorei as fotografias 🙂

    1. Quando fui a Florença achei que não iria visitar nada mais belo mas Veneza deixou-me a pensar. Não consigo escolher entre as duas pois cada uma tem as suas particularidades mas ambas ocupam, sem dúvida, os dois primeiros lugares! Beijinhos e Obrigada!

  4. Adorei as fotos e a partilha.
    Estive em Veneza pela 1ª vez exatamente há um ano atrás e amei …. é mesmo única e misteriosa ….
    Recomendo vivamente!
    Estou ansiosa por lá voltar novamente!!!
    Há tanto para ver 😉

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